domingo, 24 de janeiro de 2016

Hotel do vinho


De quebra conseguimos uma visita ao hotel Vik, projeto do uruguaio Marcelo Daglio.



A cobertura, que emerge da montanha, é de titânio em chapas curvas, e cobre um edifício de geratriz ortogonal com pátio interno.
Bonito e bem decorado. Mas ficou difícil superar a bodega...

Vinho e Arquitetura: harmonização perfeita!

Um dia dedicado à visita "reserva especial" da viagem: Viña Vik, projeto de Smiljan Radic, finalizado em 2014.
A vinícola, que intenciona produzir o melhor vinho do Chile e um dos 10 melhores do mundo, investiu pesado em uma estrutura focada na produção de somente 1 vinho por ano, um vinho ensamblaje de cinco uvas: Carmenere, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Syrah e Merlot. A plantação é extensíssima, mas somente 1/3 das uvas (as melhores) são usadas para o vinho Vik. Após a colheita, o vinho fica dois anos na barrica e um na garrafa. A proposta da Vik é produzir um vinho elegante e com um sabor não tão alcóolico. Até hoje a vinícola engarrafou somente três safras.


Agora, a arquitetura:
Localizada no "Chile profundo", no vale de Mullahue, de encontro à Cordilheira da Costa, a bodega é uma aula de arquitetura. Delimita-se por uma grande cobertura que à primeira vista poderia parecer uma laje de concreto, mas que na verdade se trata de um inflado de EFTE apoiado em duas paredes laterais. O espelho d'água de grandes proporções, que é a alma do edifício, é a cobertura da adega, e serve de controle térmico, cuja água é usada para vaporização do interior.

O espaço interno é um galpão subterrâneo. O nível de acesso leva ao mezanino do galpão, de acesso aos tonéis. Paredes e passarela de concreto com estrutura expressiva, detalhamento objetivo, inteligente e limpo.





Duas questões em especial mostram a habilidade do arquiteto no trabalho com o contexto: a primeira delas é a altura da cobertura do galpão, que parece flutuar sobre o colchão verde do vinhedo. A outra é a cristalinidade das duas fachadas, que permitem que a visão atravesse a arquitetura e alcance a paisagem mais além.
Pura emoção poder experienciar um lugar como este! E com vinho então!

Dia de viñas

1
O dia começa com a visita à Viña las Niñas, de Mathias Klotz.
Nada mais que um galpão. Mas um belo galpão inserido em uma bela paisagem.
Faltaram "periféricos" como restaurante/café, tienda...





2
Explorando a vizinhança, paramos para café e tienda na Viña Montes.



Lotada de brasileiros para o tour degustação, é uma das maiores estruturas turísticas do vale.

Arquitetura sem grife, dizem que baseada no Feng Shui (argh!), apresenta alguns elementos de interesse como a topografia artificial para abrigar a cava principal, e o café relacionado com a magnífica paisagem exterior do vale do Colchagua.

3
Na mesma estrada está a Viña Neyén, viña mais "pija", cujo único vinho custa 30 mil pesos (150 a garrafa).

Lindo casarão de adobe com varandas e pátio (adega e degustação), e anexo (produção) de concreto com "revestimento" em adobe.



Pausa para respirar, sentir o aroma do vinho e se proteger do sol de 30 graus.

4
Pausa para almoço no restaurante Rayuela, na Viña Viu Manent.
Detalhe para a bolsinha de gelo. Ótimo presente!

5
O passeio é como uma harmonização vertical. Como nos vinhos, o melhor sempre fica para o final.
Bodegas Emiliana, Fundo Los Robles, projeto de José Cruz Ovalle. Sempre ele!












A arquitetura a serviço da paisagem e do conforto ambiental. Excepcional inserção no contexto natural, onde os edifícios criam vias internas de larguras variáveis criando diversas perspectivas do lugar.



Expressividade tectônica. Linda concepção estrutural e fechamentos em concreto, tijolos de adobe e madeira em ripas ou brises.
Sombras. Detalhes. Poesia.
Enfim, viva a arquitetura chilena contemporânea e seus mestres. Ainda vamos organizar a viagem "Vinho e Arquitetura" para podermos degustar tudo isso em boa onda.