terça-feira, 12 de abril de 2016

Soweto pop

Não poderia faltar uma visita a Soweto, antigo bairro de negros durante o regime do Apartheid.

Não espere ver um favelão. Soweto hoje é uma cidade formalizada, e como uma área urbana autônoma, há bairros "ricos" e pobres dentro desse enorme assentamento.





Um dos locais de destaque é o Hector Pieterson Memorial, mais um ponto cultural que trata da violação dos direitos humanos no regime do Apartheid.
O memorial é projeto dos arquitetos Mashabane Rose Associates, e inclui um museu e o "memorial" propriamente dito, na área externa.

Não pudemos entrar no edifício, que estava fechado... mas o memorial já valeu muito a visita.

Aliás, os arquitetos locais estão de parabéns. excelentes museus, excelente arquitetura contemporânea que emociona e faz refletir. Excelente detalhamento e desenho dos espaços públicos.
Um rolé pela rua "turística" de Soweto deixa suspeitas de que pouco restou dessa antiga área marginalizada. Claro que estamos falando de uma parcela muito pequena desse grande assentamento, mas foi um dos poucos locais em que presenciamos misturas raciais em toda a viagem. O que também nos faz pensar.

Mais uma zebra: Museu Mandela fechado. A autoria é dos mesmos arquitetos do memorial acima.

Frustração mas... enfim, super viagem! Recomendo South Africa!

Arquitetura surpresa

Outra grande surpresa foi o Constitution Hill, complexo que nem sabíamos que existia. O projeto é do UrbanWorks Architecture and Urbanism, de 2010, vencedor de um concurso internacional.

Antiga prisão do centro da cidade de Joanesburgo, abrigou presos políticos como Gandhi e Mandela.

O complexo abriga museu, áreas livres e o supremo tribunal. O projeto buscou reinventar o complexo como um lugar de triunfo e um guardião da nova democracia da África do Sul.

Segundo os autores do projeto, "um plano de desenvolvimento procurou desbloquear o potencial de mercado do terreno para garantir a sua sobrevivência e sustentabilidade".

O que vemos hoje é uma revitalização que interfere muito pouco no edifício existente, mantendo seu caráter prisional e o desgaste pelo tempo, inserindo pequenas estruturas museográficas e de visitação.

Gandhi ficou preso aqui, por vir à áfrica lutar pelo direito dos negros e mestiços.

Esse é o pavilhão principal de visitação visto de fora.
Algumas estruturas foram mantidas como memória, mas muitas alas foram demolidas dando espaço a novos espaços públicos para a cidade.
O supremo tribunal é um capítulo a parte. Segundo nosso guia, o conceito do projeto se fundamentou na árvore como o local onde os problemas locais são discutidos.
O projeto então deu forma e espaço a essa metáfora, construindo as entradas de luz, os troncos, folhas, raízes...



Achei muito lindo e poético. Só um escritório local poderia dar forma a essa história triste com uma narrativa cheia de nuances.



O espaço público adjacente, que surgiu de várias demolições dentro do antigo terreno do presídio, foi tratado também com singeleza e poesia.

Brises metálicos móveis com gravuras de cenas históricas filtram a luz para dentro da suprema corte.
Por um mundo livre e menos desigual!

Apartheid


"Its fluid interplay with surrounding landscape as well as its apparently paradoxical suggestions of restriction and free flow, engagement and disengagement mark it as one of the most significant architectural works of the first ten years of democracy."


Sensacional experiência o Museu do Apartheid, tanto pelo próprio edifício quanto pela exposição e informação.

O edifício é de 2005, de autoria do GAPP Architects and Urban Designers, grande escritório local autor de um estádio da copa e outros edifícios coletivos.

Logo na entrada vem o choque. As entradas para "whites" e "non-whites" levam a pontos diferentes da exposição (obviamente culminando logo à frente em um mesmo ponto). Qual acesso tomar?

O percurso começa no exterior com espaços mais contemplativos e duros.


Após a passagem pelos dois acessos diferenciados, caímos em uma proliferação de identidades e cartazes mostrando como era a segregação do Apartheid.
O percurso pelo espaço exterior segue, em uma montagem que leva o visitante à reflexão.

Logo, quando se percebe, estamos sobre a cobertura verde do edifício.



Após a condução à descida, adentramos o recinto propriamente expositivo.

No photos allowed!

Após uma longa exposição que pode durar boas 2 horas... FREEDOM.


O Apartheid terminou, mas a segregação ainda persiste... Sabemos bem disso.
Pausa para reflexão.
Fiquei encantada com os museus de Joanesburgo que conheci. Excelentes arquiteturas, que emocionam pela carga de simbolismo que representam.

Grande surpresa arquitetônica da viagem!